Classe Média Baixa – Wagner Silva Gomes

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Pelos arredores de Mangue Seco, em Cariacica, ou descendo e subindo o Morro do Sesi, O livro Classe Média Baixa (2014 / Editora Pedregulho) usa a periferia de Vitória como cenário e retrata a favela com muito orgulho e sinceridade. O autor desse romance é o professor de Literatura e Língua Portuguesa Wagner Silva Gomes, que conta que o livro surgiu da necessidade de narrar uma história sobre o lugar onde nasceu pelos olhos de um morador e despida de estereótipos.

O livro é um ensaio que mescla histórias reais com construções fictícias, “apesar de algumas verdades que escrevi, sei que cada leitor cria suas próprias perspectivas”, afirma o escritor. Para ele, a ficção prevalece, mesmo que tenha um pouco de sua vida na história. Além de ser o local onde nasceu, a escolha da região como pano de fundo se deve também à paisagem montanhosa que o fascina como cenário.

O personagem principal é um rapaz chamado Tom, muito inteligente e atencioso a tudo que acontece ao seu redor. Tom mora com a família, sua mãe é empregada doméstica e seu pai trabalha em uma grande mineradora da região. Em Classe Média Baixa são contadas as dificuldades por qual Tom passa, mas também suas alegrias e conquistas.

“Tom é um personagem que aglomera o discurso da classe média e da pobreza, ele consegue problematizar esses dois perfis. Minha intenção é revelar uma favela transformada que sofre influência de diversas culturas e classes sociais”, explica Wagner.

A ideia de escrever um livro sobre a vida na periferia começou a ser esboçada quando Wagner assistiu Cidade de Deus (2002) e ele viu que era possível fazer algo que de alguma forma dialogasse com o filme. O escritor também conta que se inspirou na antologia Cinco Vezes Favela (1961), que reúne 5 diretores brasileiros para contar histórias com personagens que moram nas periferias.

Assim como as obras citadas, Classe Média Baixa também traz uma crítica social, o livro fala principalmente do extermínio da juventude negra que o Espírito Santo vem sofrendo. “Nosso estado tem um dos maiores índices de homicídio de jovens negros e eu já perdi muitos amigos de maneira trágica, por isso quis abordar isso no romance também”, diz Wagner.

A obra começou a ser escrita na internet. Wagner postou alguns capítulos em seu blog www.teladeligacao.blogspot.com.br e depois mostrou para a Marilía Carreiro, da Editora Pedregulho. A editora se interessou pela obra e iniciou os processos para a publicação. Esse é o segundo lançamento da editora capixaba, que tem o objetivo de estimular ainda mais a escrita e a leitura literária no cenário nacional.

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