Coletivo Literatura MarginalES – Zine (Des)Construção

catsseeInspirados na poesia marginal dos anos 70 e 90, a literatura tem ganhado força na periferia. Em Vitória, o coletivo Literatura MarginalES representa muito bem esse momento. O grupo surgiu em janeiro de 2012, quando os poetas Juplin Jones, Janio Silva e Joel Nobre criaram uma página no facebook Literatura MarginalES para a divulgação de seus textos.

“Sempre tivemos muita dificuldade em divulgar os nossos poemas, por isso começamos a nos reunir para pensarmos qual seria a melhor maneira de mostrar o que produzíamos”, explica Juplin Jones. O coletivo ganhou visibilidade recitando os seus poemas no Projeto Boca a Boca, evento de Rap e Freestyle. Atualmente, o coletivo cria suas próprias formas para aproximar a periferia dos livros, produzindo saraus e publicando Zines.

“O Coletivo Literatura MarginalES acredita que o acesso à cultura e a valorização dos saberes populares e periféricos é condição fundamental para a formação dos sujeitos como seres humanos plenos, com dignidade e altivez”, diz Juplin, que esclarece que o grande objetivo do grupo é a democratização da cultura.

O grupo promove o sarau Quebrando Silêncio. Juplin explica que o sarau busca ser um espaço para os amantes da poesia e uma forma para divulgar os trabalhos artísticos-culturais produzidos nas periferias capixabas e por quem vem dela. O ponto alto do sarau Quebrando o Silencio é o lançamento do Zine (Des)Construção, que foi criado em 2013 no intuito de levar às ruas poemas e informação de uma forma sistemática e de fácil acesso. Sua primeira edição – que pode ser lida no link – atingiu mais de 500 exemplares distribuídos e vendidos.

A 2ª edição traz poemas dos escritores Janio Silva, Joel Nobre, Juplin Jones e também dos escritores Leonardo Vieira e Ronaldinho que se tronaram recentemente membros do Literatura MarginalES. A arte da capa foi produzida pela artista paulista Juliana Castilho. O zine será vendido por R$ 2,00.

A Parceria com a Juliana Castilho surgiu de maneira natural devida à aproximação que as redes sociais proporcionam. Na época, o grupo não dominava os programas de criação de arte e a artista se voluntariou para fazer a capa. Outras parcerias foram feitas como a publicação online do zine Uni-versos feminisnos (Especial Dia Internacional da Mulher), que reuniu poemas de vários escritores das periferias brasileiras.

“No inicio, a nossa divulgação dava-se apenas por meio das redes sociais. A partir da realidade vivida e observada, percebemos que grande número de pessoas não tem acesso à internet ou não costuma ler textos grandes no computador. Então resolvemos trabalhar para a edição do zine, uma publicação independente barata e de fácil acesso”, conta Jones.

A boa aceitação do (Des)Construção incentivou o coletivo a criar um selo editorial para lançar outras publicações, sempre de maneira independente e apoiando outros escritores que não conseguem acessar as grandes editoras. Pelo Selo Ponta de Lança Edições já foram produzidos quatro zines : Um todo do meu eu, do rapper Carlos Abelhão, Infinito e Estação dos Sonhos, do próprio Juplin Jones, Prato Poético, de Janio Silva e a 1ª edição do (Des)Construção.

Além de divulgar as publicações, o sarau busca fomentar debates acerca de dos movimentos culturais da periferia e as realidades dos sujeitos que participam desses grupos. “Fazemos essa interlocução de diferentes movimentos artísticos pela necessidade de a periferia ter acesso aos diversos modos de expressão das culturas”, explica Juplin.

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