Estilo de ser tão pouco

10351587_1426315891009933_6886969746061928299_nA figura dark, de cabelos longos e louros de Sergio Blank sempre chamou a atenção – apesar da timidez. Foi a partir desse mistério do poeta que Jorge Ribeiro decidiu fazer o documentário Risque Meu Nome do Mapa. No curta, ele tenta desvendar o estilo de Sergio e seus versos sonoros e irônicos que influenciaram toda uma geração de escritores do Espírito Santo, nas décadas de 80 e 90.

A ideia do documentário surgiu de um poema do Blank. “Eu estava na casa de um amigo e vi na estante dele um livro de Blank. Li um poema autorreferencial em que ele dizia ser um ‘segredo enorme’. Isso ficou na minha cabeça. Pensei em imagens. Pensei em um documentário pela primeira vez”, conta Jorge, que na época ainda não conhecia Blank.

Com a ideia na cabeça, Jorge foi buscar parceiros e entrou em contato com a cineclubista Juliana Gama, o cinegrafista Marcelo N. Reis e logo começaram a filmar as entrevistas. Lógico que depois de conversar com o próprio Sérgio e com a permissão dele.  O resultado dessa produção independente poderá ser conferido em diversas exibições que ocorrerão ao longo do ano e em breve na internet.

A obra do Blank se destaca, pois representa um dos conjuntos mais sólidos de poemas produzidos no Espírito Santo nos últimos 30 anos e está em pé de igualdade com a produção nacional do mesmo período, diferenciando-se apenas por questões de distribuição e mercado editorial. “Quem entra em contato com a poesia dele, logo causa estranhamento pela variedade de temas e sobreposições de ideias diversas em seus versos. Ou isso te afasta, ou te faz querer mergulhar neste vulcão em plena erupção”, explica Jorge.

Para compor o documentário, a equipe pensou bastante nos entrevistados e contou com uma conversa com o próprio poeta, que também indicou alguns nomes. Em Risque Meu Nome do Mapa, há falas de Erly Vieira, Reinaldo Santos Neves, Pedro Nunes, Fernando Achiamé, entre outros.

Os convidados comentam suas impressões sobre a obra de Blank, há também um momento no curta que conta sobre o trabalho do poeta com pacientes com transtornos mentais. À parte isso, o filme concentra-se principalmente na obra literária de Sérgio, em sua poesia, nos títulos dos livros e no silêncio dessa escrita poética.

“É muito gratificante saber que somos contemporâneos e conterrâneos de um poeta de sua envergadura. Muitos escrevem em verso, mas poucos fazem realmente poesia como a de Sergio. É um poeta que captou os anos 80 como quem observava tudo de esguelha e com um sorrisinho no canto dos lábios”, diz Jorge.

Para quem ainda não conhece a obra de Blank, em 2011, a editora Cousa reuniu todos os livros do poeta em uma só obra: Os Dias Ímpares. A coletânea inclui os livros Estilo de Ser Assim, Tampouco (1984), Pus (1987), Um, (1988), A Tabela Periódica (1993), Vírgula (1996) e dois poemas avulsos: “A torto e a direito” e “Aos que mordem sem latir“. Além disso, o poeta também possui um livro infantil chamado Safira, que está para ser relançado.

4 Comentários

  1. Juliana
    24 de novembro de 2015 em 18:03 · Resposta

    Ótima matéria sobre o documentário. Parabéns!

  2. Antonio Carlos Quinelato
    24 de novembro de 2015 em 19:51 · Resposta

    Sim, sempre me chamou atenção a forma cosplay do Blank e o expressionismo concreto, pálido. Mas na verdade para mim só era semiótica nunca levei um papo na época UFES. Mas o tempo confirma.

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