Geladeiroteca: cozinha y cultura

12657770_1559666714349518_3258439903345116486_oEntrar em um bar e além de comer e beber sair com um livro em mãos. É assim no restaurante de comida mexicana Jalapeño, em Jardim da Penha. O local tem uma geladeira velha que ganhou uma pintura com grafites e uma nova serventia: abrigar livros.

Os livros, fruto de doações, ficam à disposição dos frequentadores e podem ser pegos por qualquer um, a qualquer momento. Não é preciso cadastro, carteirinha nem mesmo avisar os funcionários sobre o empréstimo. Existe só uma regra: que os livros depois de lidos sejam deixados em locais públicos como praças, ônibus ou parques.

O proprietário do Jalapeño, Ricardo Florentino, conta que desde que abriu o restaurante, sempre quis associar a ideia de cozinha com cultura. Para isso começou homenageando dois grandes pintores mexicanos, Frida Kahlo e Diego Rivera, que dão nome a duas saladas. Além deles, Don Diego de la Vega, o Zorro, e Artemio Cruz, personagem do livro de Carlos Fuentes, são pratos principais.

“A aceitação da geladeiroteca foi ótima desde o início. Teve gente que estranhou o fato de que poderia levar o livro embora, mas a repercussão tem sido muito positiva. Até as crianças que frequentam o restaurante adoram a Mercedes e começaram a levar obras infantis para o acervo”, conta Ricardo, que explica que Mercedes é o nome da Geladeira, “uma homenagem a esposa do Gabriel Garcia Márquez, o autor que inaugurou a geladeiroteca”.

Aqueles que se interessaram em fazer doações podem comparecer em qualquer dia, mas Ricardo aconselha que seja em uma terça-feira. Neste dia os livros doados são trocados por Mojitos, que, aliás, era a bebida preferida do escritor Ernest Hemingway.

“Acredito que tem tudo a ver com a época em que vivemos, com compartilhar experiências, ser sustentável e praticar o desapego. Recentemente criamos um carimbo para as obras da Mercedes, para que, mesmo que elas voem para longe, seus novos leitores saibam que ela faz parte de uma biblioteca-geladeira. A coleção da Geladeiroteca do Jalapeño é de todo mundo”, completa Ricardo.

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