Poemas de Ingrid Carrafa são tema de TCC

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Amor, sexo e muitos porres fazem parte dos livros da poeta Ingrid Carrafa. Autora de “Não Joguem pedras na Geni” (2016), “Entre Rosas e Abismos” (2015) e mais um monte de poemas publicados no Facebook, Ingrid é dona de uma obra visceral que fala sobre os desejos femininos sem pudores.  Recentemente, seus poemas foram tema do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do aluno de Letras Guilherme Medeiros.

“Conheci a literatura da Ingrid por meio de um amigo e logo gostei muito, então fui procurar seus livros e comecei a ler também o que ela publicava nas redes sociais. Percebi que seus poemas tinham uma relevância muito importante para a literatura produzida no Espírito Santo e por isso decidi estudar mais a fundo”, conta Guilherme, que além da análise dos poemas também fez uma pesquisa sobre a história da literatura produzida por mulheres no Espírito Santo.

Além da metodologia de análise literária, Guilherme sentiu necessidade de entrevistar a autora também. “O Guilherme é uma pessoa muito humana e soube conduzir bem a conversa. Mas confesso que reconhecimento não impulsiona minha escrita. Ainda assim sou grata ao carinho do Guilherme, em um estado onde odeiam o que eu escrevo, talvez tenha me sentido reconhecida”, conta Ingrid.

Para a escolha dos poemas analisados, Guilherme optou por poemas que passassem pela “nudez”, tanto na palavra quanto no seu sentido. “Ingrid utiliza a nudez para dispor o discurso de posse do próprio corpo, a nudez é empoderadora. Essa ideia vem de um artigo de Elaine Showalter em que elucida que os temas da literatura produzida por mulheres, em geral, tratam de aspectos relacionados ao corpo, devido ao fato de que lhes é negada, no âmbito social das comunidades patriarcas, a sua posse”, diz Guilherme.

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Durante sua pesquisa, o estudante também se deparou com uma produção literária muito rica e diversa das autoras capixabas. “Temos escritoras que foram peça chave na movimentação cultural do estado no século XX e ainda são no século XXI. Temos escritoras que denunciaram os trâmites do golpe militar, que denunciam o patriarcado, são muitos temas e abordagens”, conta.

Entretanto, como homem estudando mulheres que escrevem, o estudante sempre tomou muito cuidado para não se apropriar do discurso e procurou embasar suas reflexões em posicionamentos de mulheres escritoras, críticas literárias e teóricas como Elaine Showalter, Deepika Bahri e alguns apontamentos teóricos de Spivak.

Outro ponto interessante do TCC é a relação entre tecnologia e literatura, visto que, Ingrid Carrafa utiliza muito as redes sociais para postar seus poemas, muitas vezes acompanhados de fotos e vídeos. Em seu trabalho, Guilherme trata o Facebook como um ambiente panóptico, onde discursos desautorizados – como os das minorias – são julgados e proibidos e acabam sendo denunciados.

“Chamamos de Panóptico virtual essas experiências de controle discursivo velado, sem saber de onde vêm. Só se sabe que se está sendo vigiado e por isso, os que se subjugam, autocontrolam seus discursos. Esse não é caso de Ingrid, que não nega a si mesmo e nem a sua produção”, afirma Guilherme.

 

1 Comentário

  1. 23 de janeiro de 2018 em 17:43 · Resposta

    Muito legal seu blog. Parabéns! Aproveito para te informar que o ”Livros por Lívia” foi indicado ao prêmio The Mystery Blogger Award, confira neste link: http://www.entrelinhaseafins.com.br/2018/01/the-mistery-blogger-award.html
    Abraços, Vitor!

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