A obscena Senhora F.

10561626_716443198422401_6195306715832894726_nDizem que não há inspiração maior que uma boa fossa. A poesia pode nascer do rancor, do arrependimento, da raiva e, principalmente, da mágoa. Assim é o livro Antagônico ao Amor, de Fabíola Colares. A poeta expõe os piores sentimentos que as desilusões amorosas podem trazer. Ela escreve sobre frustração e desprezo com deboche e ironia sem a nostalgia com que esses temas geralmente são descritos.

Fabíola tem a escrita rasgada. Ela mastiga as palavras e cospe de volta no papel, não tem apreço por nada, vai do vinho ao churrasquinho da esquina na mesma linha. Seus versos tortos não perdoam ninguém e, assim, prefere ser Carmélia a Amélia: “contraditória e bandida”, como ela mesma descreve

Outro tema recorrente em seus poemas é o sexo. Suas fodas, suas fadas, suas ladras, suas putas estão todas ali escancaradas. Sem pudor, Fabíola xinga, ama, maltrata e é maltratada por suas mulheres. Em “Fisiológico”, a poeta compara uma transa mal sucedida a beber água sem filtrar quando se está morrendo de sede. Mesmo sem química ela sorve o líquido, mas ao amanhecer como lidar?

Mesmo sendo seu quarto livro, Fabíola ainda esbarra em alguns clichês, talvez pela ansiedade de colocar tudo no papel da forma mais crua possível.

2 Comentários

  1. João
    25 de maio de 2016 em 16:12 · Resposta

    Escrever resenha como quem está lendo poesia: dá mais vontade ainda.

  2. Fabíola Colares
    27 de maio de 2016 em 15:22 · Resposta

    Um luxo! Obrigada, Lívia! De verdade! Acho que poucas pessoas conseguiram definir o “Antagônico” tão bem.

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