Marinheira das palavras

balizaNatasha Siviero é uma escritora de miudezas, de pequenices, ou melhor, de banalidades. É dessa forma que ela mesma se identifica em uma das suas crônicas em Baliza de Navio (2013), seu primeiro livro de crônicas.

Embora as crônicas sejam baseadas em eventos cotidianos, o diferencial da escritora talvez esteja na forma como ela aborda situações de sua própria vida, muitas vezes, lançando no texto nomes de seus familiares e amigos. Baliza de Navio é quase um diário e o leitor chega a se sentir íntimo da escritora, mas não se pode esquecer que se trata de uma obra literária e, portanto, de ficção.

Baliza de Navio pode ser considerado um livro de autoficção, uma tendência muito comum na literatura contemporânea, mas que não é novidade. Afinal, a matéria prima da literatura é a vida. Mesmo que pareça que Natasha se expõe totalmente em seu livro, a partir do momento em que ela põe as palavras no papel, a verdade não existe mais.

Ao mesmo tempo em que a escrita de Natasha tem esse caráter espontâneo e confessional, ela também é bastante trabalhada. Percebe-se uma preocupação na escolha das palavras e, principalmente, na pontuação que confere um ritmo peculiar nos seus textos.

Dentro dessa teia de eventos cotidianos, uma crônica em especial se destaca. “Sal” se apresenta com uma prosa poética e com uma linguagem metafórica que destoa das demais. Mas o estranhamento com esse texto é apenas inicial, porque logo se percebe o estilo da escritora nesse conto.

Apesar de Baliza de Navio ser seu livro de estreia, um ano antes do lançamento da Secult, em 2013, Natasha lançou uma obra infantil chamado Sarah Princesa (2012). O livro é ilustrado e todo feito de forma independente. Apesar do apelo infantil é um livro sensível para todas as idades.

Inclusive, é impossível falar da literatura de Natasha sem citar a maternidade, tema de tantas crônicas em Baliza de Navio, que é dedicado ao seu filho Miguel. Certamente, a maternidade deve ser um período de muita inspiração e também de muitas situações inusitadas que parecem ate ficção.

Natasha Siviero é jornalista e escreve no site www.sambaprasmocas.com.br

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