Uma mulher suja

angelica freitas livros por liviaAngélica Freitas questiona o que é ser mulher atualmente com seus poemas irônicos e bem humorados. Em seu livro Um útero é do tamanho de um punho (2013), ela não procura dar resposta a esses questionamentos e sim criar muitos outros para tentar dar conta da infinidade dos tipos de mulheres que existem. Se a definição de mulher encontra-se em crise hoje, a poeta entende essa falta de padrões como algo positivo.

Além de desconstruir Amélia e dissecar Carmem Miranda, Angélica também desmonta o estereótipo da mulher poeta intimista e romântica. Um útero é do tamanho de um punho é o segundo livro da escritora gaúcha, que se destaca na literatura brasileira contemporânea por tratar do feminismo de uma forma não tradicional.

Embora o livro não seja uma obra de militância, ele tem um discurso político muito presente. Angélica aborda a mulher em sua diversidade sem julgamentos, há poemas sobre mulheres limpas, sujas, gordas, magras, transexuais, submissas, independentes, entre outras tantas. Seus poemas são concisos, agressivos e divertidos.

Essas características também estão presentes em seu primeiro livro Hilke Shake (2007), no qual ela inicia uma dessacralização da poesia, que se intensifica em Um útero é do tamanho de um punho. Na época do lançamento do seu livro de estreia, Angélica foi morar em Buenos Aires, onde conviveu com um grupo de feministas ativistas. A partir dessas experiências, começou a surgir o tema de seu segundo livro.

O interesse pelo universo feminino também se mostra no romance gráfico Guadalupe (2012), que a escritora criou em parceria com o quadrinista gaúcho Odyr. Ambientada no México, a HQ conta a história de um trio bem diferente: a protagonista, Guadalupe, uma mulher de 30 anos em crise, sua avó, uma motoqueira, e seu tio, um travesti aposentado.

Sempre irreverente, em Um útero é do tamanho de um punho Angélica brinca com os discursos generalizantes sobre a mulher. Como no poema mulher de vermelho, que é narrado do ponto de vista de um homem, que acredita que o vestido sensual da mulher é um convite para que ele se aproxime e pensa: “o que ela quer sou euzinho/ sou euzinho o que ela quer/ só pode ser euzinho/ o que mais podia ser”.

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